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Visões
07.04.2011 | 29.04.2011

Exposição “Visões”   realizada no MuBE
Pedro de Kastro / desenhos a bico de pena

Desde criança sonho com uma fantástica paisagem urbana transposta para outra era e volto a ser criança quando a metamorfoseio em outros mundos. Durante muitos anos, fui asombrado por sonhos onde a minha Lisboa era um mundo de sombras naufragado noo Fim do Tempo. Estas visões persistem até hoje, agora com sublimes perspectivas de São Paulo e de outras capitais do Mundo. E elas são tão reais que sinto como se já tivesse estado antes naquele futuro esquecido. Tenho saudades dele.”  Pedro De Kastro

Radicado em São Paulo desde 2001 e ainda pouco conhecido entre nós, Pedro De Kastro destaca-se no panorama artístico brasileiro como um verdadeiro mestre do desenho e da gravura. Sua obra foi revelada no Brasil somente a partir das exposições organizadas pelo Instituto Moreira Salles e realizadas em diversas capitais – São Paulo, Curitiba e Porto Alegre. Contudo, esse artista nascido em Lisboa em 1971 já adquiriu prestígio internacional e participou de exposições em Nova York, Londres, Amsterdam e seus desenhos e gravuras foram publicados em edições importantes como, por exemplo, “Dreamscapes 2010 – Contemporary Imaginary Realism”, editado na Holanda e ilustrado pelos mais destacados artistas, a nível mundial, que trabalham com poéticas de realismo fantástico.

Pedro De Kastro aprendeu com Piranesi a representação da arquitetura e da perspectiva e desenvolveu sólido conhecimento e domínio no desenho a lápis, a bico de pena e, também, nas técnicas da gravura em metal.

Nesta exposição organizada pelo MuBE – Museu Brasileiro da Escultura, Pedro De Kastro volta-se, principalmente, para a paisagem urbana e utiliza processos construtivos com o rigor das práticas tradicionais (século XVIII) para criar com exatidão as imagens de seu imaginário, cujos personagens são, muitas vezes, os edifícios da cidade e seus estranhos contendores.O absurdo é tratado com realismo, expressão que desestabiliza nosso entendimento entre ilusão e verdade.    

Percebemos EM “VISOES” sua sensibilidade para as questões de tempo/espaço, construção/ruína. Seu conhecimento e domínio das complexas técnicas de perspectiva permitem ao artista trabalhar poéticas de espaço com precisão e objetividade (verossimilhança com o real) sem perder mistério, sua ferramenta predileta e, através dele, ingressar no mundo do inefável, do incomensurável. Os edifícios da série São Paulo são personagens de pedra que emergem arrogantes, com vitalidade e energia ascendente e, ao mesmo tempo, são dominados, corroídos e arruinados, cercados por estranhas forças naturais, por labirintos e por abismos que provocam vertigem. Na paisagem aparentemente imóvel da arquitetura, tudo vive, respira, mas tudo caminha inexoravelmente rumo à destruição.  

Dono de uma capacidade até mesmo virtuosa de trabalhar com a perspectiva e com o claro-escuro, Pedro De Kastro realiza seus desenhos e gravuras com a minucia de um relojoeiro.

A trama das linhas que estrutura todo seu trabalho pode ser comparada à composição orquestral, na qual as notas musicais produzem diferentes timbres, mas que só ganham significado no seu conjunto.

Pedro De Kastro sonha maravilhas e desperto cria “simbioses” de grande força expressiva entre o real e o imaginário. Não pretende traçar uma relação harmônica entre eles, pelo contrário, procura explorar todos os conflitos que essa relação produz. Ao tentarmos decodificar os enigmas contidos na sua poética acabamos defrontando-nos com novos questionamentos que revigoram o debate e a compreensão sobre nossa vida urbana e sobre o papel das grandes metrópoles no futuro da nossa sociedade.

Fabio Magalhães

Sobre o Artista

Pedro de Kastro

Pedro De Kastro nasceu em Lisboa em 1971. Freqüentou o curso de desenho do Centro de Arte e Comunicação Visual de Lisboa, onde desenvolveu uma técnica apurada de construção linear e de grafias, inspirada em grandes mestres do passado, com destaque para Giovanni Battista Piranesi (1720 – 1778). A maior parte de seus desenhos a bico de pena são inspirados nas gravuras européias do século XVIII. Dois anos depois de sair da ArtCo de Lisboa, se especializa na secular técnica da água-forte no curso de Gravura da Galeria Diferença, em Lisboa. Em 1996, freqüenta um workshop de Gravura com Bartolomeu dos Santos, professor catedrático de Gravura na Slade School de Londres.

A partir de então começa a desenvolver sólido conhecimento e domínio no desenho a lápis, a bico de pena e, também, nas técnicas da gravura em metal. Por iniciativa pessoal, procurou conhecer os meios expressivos do desenho a partir do renascimento e estudou os grandes mestres como Leonardo da Vinci, Albrecht Durer, Andrea Mantegna, entre outros.

Em 2001, vai a Sarajevo, representando Portugal em Desenho na 10ª Bienal de Jovens Criadores da Europa e do Mediterrâneo. Logo em seguida muda-se para o Brasil, em São Paulo, onde vive e trabalha até hoje.


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