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Ópera dos Porcos
05.04.2017 | 06.05.2017

SIMONE MATTAR + coletivo FOOD OF WAR

Ópera dos porcos

5 de abril a 6 de maio 2017

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O porco reproduz conceitos muitas vezes antagônicos na história da humanidade: dinheiro e pobreza, celebração e repulsa, sorte e avareza, mas sempre com uma analogia potente em que o ser humano se reconhece. Detrás dos porcos,  se escondem os homens. E a gastronomia se esconde detrás da beleza. Muitas vezes nos entendemos como porcos – por toda a grande simbologia complexa e paradoxal que há em nós e nas metáforas que a história proporcionou aos suínos, que também são banidos por alguns paladares e pelas mais variadas justificativas. Nesta Ópera dos Porcos, Simone Mattar cria uma récita que se acomoda à exigência de seu ouvinte. Se séria ou bufa, se longa ou breve, se reflexiva ou prosaica, cabe desejar ouvir e escolher o momento. Em pleno século XXI, a ópera conjetura potencial para agregar manifestações artísticas como artes visuais, intervenções eletrônicas e o conceito de Simone de gastroperfomance.  

Talvez seja a ópera a mais inverossímil de todas as artes. Nesta expressão, também chamada de teatro lírico, tudo está cantado. Sua forma artística celebra uma estética singular: plasticidade, sonoridade, narrativa, teatro e música que convivem entre si, entrelaçados em histórias e personagens reais, fantasiosos, míticos e metafóricos para que o contemplador experimente o mais absurdo e extravagante do mundo.
 Ao longo da história da ópera, ela serviu como entretenimento tanto ao povo quanto à aristocracia, dos teatros populares aos primeiros teatros pagos em Veneza. Veio rara no Renascimento com Monteverdi, pertenceu ao quase ausente Barroco, ao pomposo Classicismo, ao frugal apogeu do Romantismo, à consagração no Pós-Romantismo, às rupturas do Dodecafonismo. Às experimentações da contemporaneidade, como esta, sem marcas de fadiga, a ópera se molda sem exaurir as tendências artísticas que ainda são possíveis e nos fazem surpreender, até mesmo no paladar. Tal qual o porco, que passa por séculos em receitas tradicionais dos escravos, dos burgos e dos nobres e cujos apresentação e requinte flertam com os costumes das épocas. 
  
Simone Mattar nos revela em três atos que o porco continuará habitando os mais recônditos sonhos dos cozinheiros e dos poetas e, malgrado toda a artificialidade da ópera, ela igualmente se manterá como das mais espetaculares maneiras de proporcionar quimeras. 

 Aurea Vieira 


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