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Uma boa (e rara) surpresa: a gravura de Maria do Carmo Carvalho

Raras são as surpresas positivas na cena contemporânea da gravura produzida no Brasil. Afinal ela está repleta – excetuando-se a presença de alguns poucos artistas de fato – de embustes e de trabalhos que desconhecem noções rudimentares da linguagem gráfica. Nesse sentido, uma gravura capaz de gerar uma surpresa positiva já é, em si, um fato que merece um olhar atento e inteligente. E é esse olhar que deve ser dirigido para o trabalho gráfico construído, com empenho e qualidade, por Maria do Carmo Carvalho.

Essa construção inicia, nos anos 1980, com uma figuração expressionista e com a eleição da gravura em metal como base de seu trabalho no interior da linguagem gráfica. Nessa década Maria do Carmo participa de várias mostras nacionais e internacionais – e aqui ela recupera uma tradição da gravura brasileira dos anos 1950 e 1960 – que a conduz a ser convidada para a XVII Bienal Internacional de Artes Gráficas de Liubliana, Eslovênia, em 1987, participação essa que a colocou no patamar de artistas brasileiras também internacionalmente premiadas, como Fayga Ostrower, Isabel Pons e Maria Bonomi.

Nos anos 1990 Maria do Carmo mantém sua opção pela gravura em metal, mas desloca para o campo da abstração sua pesquisa no interior da linguagem gráfica. Nessa década a artista aprofunda sua atividade no plano internacional: trabalha no atelier de Tristan Barbará, o famoso impressor de Miró e de Tapiés e, sem dúvida, afina sua obra gráfica. Ainda nos anos 1990 essa obra é premiada no XXI Salão Nacional de Artes Plásticas. O reconhecimento interno acompanha tardiamente o externo.

Na década seguinte Maria do Carmo experimenta com maestria, nos planos da técnica e da linguagem gráfica, o desafio de consolidar a  maturidade de seu trabalho como artista. Hoje seu trabalho não só incorpora crescentes conhecimentos no campo da linguagem gráfica, como solidifica a sua dimensão autoral. Discreta e solidamente construída,  a sua obra vive e movimenta-se. Sua gravura anda. E muito. Ainda bem.                                                                                                                                                                                                             GEORGE KORNIS

                                                                                                                                                                                     























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